No salário mínimo, o FGTS rende R$ 75 mil em 30 anos — a poupança daria R$ 130 mil
Com o rendimento legal de 3% ao ano, o FGTS de quem ganha o salário mínimo acumula R$ 75,6 mil em três décadas de carteira assinada. Os mesmos depósitos na poupança chegariam a R$ 130 mil — 72% a mais.
Publicado em 9 de julho de 2026 · Metodologia e fontes ao final.
O FGTS deposita 8% do seu salário todo mês. Sobre o salário mínimo de 2026 (R$ 1.621), são R$ 129,68 por mês — valor recolhido pelo empregador, sem descontar nada do trabalhador. É a única poupança compulsória do brasileiro com carteira assinada. E rende pouco: 3% ao ano mais a TR, que hoje está perto de zero.
Ao longo de uma carreira inteira ganhando o mínimo, esse dinheiro se acumula assim:
| Tempo de carteira assinada | Total depositado | Saldo FGTS (3% a.a.) |
|---|---|---|
| 10 anos | R$ 15.562 | R$ 18.122 |
| 20 anos | R$ 31.123 | R$ 42.574 |
| 30 anos | R$ 46.685 | R$ 75.569 |
Trinta anos de trabalho ininterrupto guardam o equivalente a 46,6 salários mínimos — cerca de 1,5 salário por ano trabalhado.
A mesma quantia na poupança: R$ 130 mil
A comparação mais direta não depende de nenhum cenário otimista. Se os mesmos R$ 129,68 por mês fossem para a poupança — o investimento mais conservador e popular do país, que hoje rende 0,5% ao mês (6,17% ao ano) com a Selic acima de 8,5% — o saldo seria bem maior. E a diferença cresce com o tempo, porque juros compostos premiam a taxa maior:
| Prazo | FGTS (3% a.a.) | Poupança (6,17% a.a.) | Diferença |
|---|---|---|---|
| 10 anos | R$ 18.122 | R$ 21.252 | +R$ 3.130 |
| 20 anos | R$ 42.574 | R$ 59.917 | +R$ 17.343 |
| 30 anos | R$ 75.569 | R$ 130.266 | +R$ 54.697 |
Em 30 anos, a poupança renderia 72% a mais que o FGTS para o mesmo trabalhador — R$ 54,7 mil a mais, quase o dobro. E a poupança é o piso do mercado: Tesouro Selic e CDI renderiam ainda mais.
Por que o FGTS rende tão pouco?
Não é acaso: o rendimento baixo tem uma razão de política pública. O dinheiro do FGTS financia habitação popular, saneamento e infraestrutura a juros subsidiados — e é justamente por emprestar barato que ele paga pouco a quem deposita. O trabalhador, porém, não escolhe: o depósito é obrigatório e a taxa é fixada em lei (3% a.a. + TR, Lei 8.036/90).
Há um debate em curso que pode mudar a conta: em 2024, o STF decidiu que a correção do FGTS não pode ficar abaixo da inflação (IPCA), criando um piso. Na prática, a regulamentação ainda está sendo definida e a distribuição anual de lucros do Fundo (creditada até agosto) melhora o rendimento na margem. Ainda assim, nenhum desses mecanismos aproxima o FGTS do que rende a poupança — a diferença de patamar continua.
O que isso significa para quem ganha o mínimo
Para o trabalhador de baixa renda, o FGTS costuma ser o único colchão — o dinheiro que aparece na demissão, na compra do primeiro imóvel ou na aposentadoria. É também o único que rende menos que qualquer alternativa de renda fixa disponível. Quem consegue guardar um pouco por fora, mesmo na poupança, faz o tempo trabalhar a seu favor: os mesmos R$ 130 por mês que o FGTS transforma em R$ 75 mil viram R$ 130 mil em três décadas.
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- Depósito: 8% sobre o salário mínimo de 2026 (R$ 1.621, Decreto 12.797/2025) = R$ 129,68/mês.
- FGTS: 3% a.a. capitalizado mensalmente; TR considerada em zero (patamar recente).
- Poupança: 0,5% ao mês (regra vigente com Selic acima de 8,5%), equivalente a 6,17% a.a.
- Ambas as projeções são nominais, com salário constante em valores de hoje, 12 depósitos por ano e sem saques no período.
Fontes
- Salário mínimo 2026: Decreto 12.797/2025 (Planalto).
- Regras do FGTS (8% + 3% a.a. + TR): Lei 8.036/90 e Caixa Econômica Federal.
- Regra da poupança (0,5%/mês + TR com Selic > 8,5%): Banco Central do Brasil.
- Piso de correção pela inflação: decisão do STF (2024), em regulamentação.